ABNT estipula novas regras para
reformas em imóveis
Objetivo
da nova regulamentação é evitar acidentes e tornar as obras ainda mais seguras
A
partir de agora, moradores em condomínios de casas ou apartamentos que forem
executar qualquer tipo de reforma devem contratar um engenheiro ou arquiteto
para elaboração de projeto detalhado ou laudo técnico.
A
nova regra da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) começou a valer
no dia 18 de abril em todo o país. O objetivo é evitar acidentes e tornar as
reformas mais seguras.
De
acordo com o engenheiro civil Marcos Rossato, 30 anos, a norma vale para toda
edificação, mas a melhor aplicabilidade será em condomínios verticais.
Reparos
como troca de canos, janelas, instalações elétricas, gás, piso,
ar-condicionado, fachadas e tudo o que modificar o projeto inicial do imóvel
vai exigir o auxílio de um profissional.
O
estudante de economia Paulo Barelli, 20, afirma que acha desnecessário ter um
engenheiro ou um arquiteto na reforma. “Eu chamaria um pedreiro de confiança.
Ele iria me cobrar bem mais barato e não ia ficar falando o que eu devo fazer
ou não.”
‘Jeitinho’
Segundo
o engenheiro civil Walter Teoro, 58, sempre foi necessário ter um profissional
para acompanhar a reforma.
“Acontece que o ‘jeitinho’ brasileiro atrapalha isso. As
pessoas acham muito melhor correr um risco e comprar um material mais caro do
que contratar um profissional da área”, afirma. Para Rossato, todos os
envolvidos ganham com a s novas normas estabelecidas pela ABNT.
A
arquiteta Gislaine Villela, 34, também comenta sobre a importância de ter a
quem recorrer em casos de eventuais acidentes. “Outro benefício é com a
profissionalização da mão de obra. Quando um técnico, empreiteiro ou pedreiro
tem uma supervisão, a pessoa tem onde pedir socorro ou até mesmo trocar
informações do que é melhor ser feito.”
Consultas
aos síndicos
No
caso de condomínios e prédios, o dono do imóvel deverá consultar o síndico do
local antes de iniciar a reforma. Os documentos e o prazo da obra devem ser entregues
ao síndico para que ele analise o caso e autorize, ou não, a realização da
obra.
De
acordo com Rossato, cabe aos síndicos, administradores de condomínios e órgãos
públicos fazerem a fiscalização adequada para que se faça cumprir o que pede as
novas regras da ABNT.
“Vale citar que não se trata de uma lei e a ABNT não tem
poder de fiscalizar ou punir, mas a nova norma técnica serve como um código de
conduta para intervenções em edificações”, disse o engenheiro.
Acidente
As
normas foram estabelecidas por conta de um acidente que aconteceu no Edifício
Liberdade, no Rio de Janeiro, em 2012. As obras irregulares do prédio
prejudicaram a estrutura da construção. Além do edifício, o desabamento atingiu
outros prédios e causou 20 mortes.